Fotógrafo: Alberto Lefevre
Como eu nasci? Circular de cordão? Cesária? Que som ecoava no ambiente? Quanto dilatou? Até quando eu mamei? Será que isso interfere na maneira que sou hoje? E se sim, como eu posso acessar essas memórias ?
“Pra mim elas fazem parte da história do ser humano”.
Foi assim, com essas questões em mente, que um desejo começou a brotar em mim: o de conhecer o partejar. Meu primeiro contato foi quando filmei uma parteira tradicional do Acre, a Dona Francisquinha. Depois, filmei cursos com Michel Odent e Heloisa Lessa, e em 2011 concluí um mini-doc chamado “O Futuro do Nascer” pro canal Futura. Até então, só ouvia com atenção e curiosidade as histórias de partos.
Finalmente, o primeiro parto que acompanhei foi em um hospital no Nepal. As condições para as mães e para os bebês eram muito precárias, com quatro mulheres dando à luz ao mesmo tempo, em macas de alumínio geladas. A vontade de ajudar, de cuidar, de estar mais perto só aumentava.
Dessa vontade surgiu uma missão: registrar os nascimentos. E desde então, a câmera se tornou minha ferramenta e companheira. Com ela nas mãos, e com um olhar atento, me descobri no ofício de contar as diversas histórias do universo da mulher, da família, do nascimento, da morte.
Sou formada em Audiovisual e me dedico a eternizar os momentos e rituais da vida.
Atualmente, participo como diretora, diretora de fotografia e montadora em projetos que seguem a temática. Um desses projetos é sobre luto gestacional aprovado no PROAC 2023, outro sobre mestres e mestras da cultura popular brasileira lei Paulo Gustavo, além de documentários musicais do SESC Instrumental e curta-metragens/videoclipes.